. ACENDA UMA VELA 4ª EDIÇÃO || DEMOCRATIZE O CINEMA BRASILEIRO. FILMES SÃO FEITOS PARA SEREM VISTOS || realização: IDEÁRIO . patrocínio: MINISTÉRIO DA CULTURA (MinC) - FNC . parceria: CINEMATECA DA EMBAIXADA DA FRANÇA, PROGRAMADORA BRASIL e ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CINEMA DE ANIMAÇÃO . apoio cultural: RÁDIO EDUCATIVA / INSTITUTO ZUMBI DOS PALMARES

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vídeo Acenda uma Vela 4

ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO
::: Vídeo

Para encerrar a 4ª edição do Acenda uma Vela, produzimos um vídeo com as imagens da itinerância de 2009. Disponibilizamos abaixo o link para assistí-lo no You Tube.
Agradecemos imensamente a todos que contribuíram para mais um ano de sucesso do projeto e até a próxima temporada!
 
::: VÍDEO

IMAGENS
TADEU RAMOS

EDIÇÃO
LIS PAIM

FOTOGRAFIAS
NATASKA CONRADO

DEPOIMENTOS
HERMANO FIGUEIREDO
LIS PAIM
NATASKA CONRADO
PEDRO DA ROCHA

MÚSICA

BARBATUQUES
"NUM DEU PRÁ CREDITÁ"

AGRADECIMENTOS

Associação Brasileira de Cinema de Animação
Cinemateca da França
Cleonilson Alves
DJ Laetitia: Igor de Araújo e Nilton Resende
Edna Conrado
Instituto Palmas / Piranhas
Instituto Zumbi dos Palmares
Júnior Almeida
Nadja Rocha
Ong Salsa de Praia (Francês)
Osvaldo Viégas
Polícia Militar
Rafhael Barbosa
Secretaria de Cultura de Alagoas
Secretaria de Cultura de Piranhas
Secretaria de Meio Ambiente de Maceió
SMCCU

AGRADECIMENTOS MUITO ESPECIAIS

Ao jangadeiro Irmão Coragem (Maceió) e a todos
os outros que abriram suas velas
para que o cinema aportasse.

A todos os comerciantes que nos ajudaram a
acender velas com energia elétrica e boa vontade.

A todos os realizadores e produtoras independentes
que enviaram gratuitamente seus filmes para exibição
nas ações de democratização do Cineclube Ideário.

Ao público.

" Sem-Tela são os cineastas brasileiros
sem espaço no circuito comercial
e sem-tela é o público,
uns por pouco dinheiro
outros por pouca opção
(MANIFESTO SEM-TELA)

FILMES SÃO FEITOS PARA SEREM VISTOS.

::: EQUIPE ACENDA UMA VELA 4

ADSO MENDES

. coordenador técnico
EDNA CONRADO
. locução nos spot's
GERALDO PEREIRA
. assistente técnico
jovem participante do Ponto de Cultura Ideário
GRAÇA CAVALCANTE
. pedagoga e assistente de produção
HERMANO FIGUEIREDO
. idealizador do projeto, chefe de curadoria e apresentador
JOSÉ ALISSON
. assistente técnico
jovem participante do Ponto de Cultura Ideário
LIS PAIM
. curadora, editora e assessora de comunicação
MARIA CLÁUDIA DA SILVA
. produtora e relações públicas
NATASKA CONRADO
. fotógrafa, designer e assistente de produção
NÚBIA LUDOVICO
. gerente administrativa
REGINA CÉLIA BARBOSA
. consultora em projetos culturais
TADEU RAMOS
. cinegrafista

 ::: AUV4 / parte 1




::: AUV4 / parte 2

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Filmes exibidos na 4ª edição

[ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO
::: Programação da itinerância 2009

Divulgamos abaixo a lista de filmes exibidos durante o Acenda uma Vela 4. Esse ano recebemos mais filmes do que em todos os anos anteriores, filmes dos mais diferentes lugares do Brasil.

Eis o que nos guia na seleção:

. A curadoria é feita em dois momentos. No primeiro, fazemos uma pré-seleção dos filmes que irão viajar na itinerância, considerando critérios como qualidade artística, abordagem do tema e as restrições que sempre temos que lidar por ser uma exibição aberta, com um público bastante diverso, com faixas etárias diferentes e muitas crianças presentes (que de primeira já restringem temas como sexo e violência). Exibimos filmes em sua maioria sem legendas e mais curtos. Isso não significa que o projeto não exiba médias-metragens, pode acontecer e já aconteceu algumas vezes, mas esses momentos são escassos.

. No segundo, fazemos a curadoria definitiva no momento da sessão. Não temos uma programação fechada, temos filmes com probabilidade de exibição. Na hora da sessão é que escolhemos, dentre os pré-selecionados, aqueles que vão para vela, considerando o perfil do público do local. Há públicos compostos em sua maioria por crianças, mesmo fora do ACENDA UMA VELINHA, outros por idosos e assim por diante. Em alguns locais, como na capital, o público é geralmente de universitários, estudantes de ensino médio e adultos de classe média. Em outras praias mais distantes e nas lagoas, em sua quase totalidade são pescadores e suas famílias, comerciantes ambulantes e seus filhos, população em geral de baixa renda e que muitas vezes não sabe ler. O momento da sessão também define o público, pois mais próximo do final delas, quando muitas crianças já foram dormir, conseguimos por vezes emplacar filmes um pouco mais fortes.

Precisamos ter cinema para todo tipo de público e ocasião. Programar na hora as sessões do Acenda uma Vela é um grande exercício de jogo de cintura. A resposta do público é imediata e temos que saber lidar com os acertos para continuar seguindo o caminho, assim como com os erros, para revertê-los sem comprometer a sessão e perder o interesse do público. Muitas vezes, na pré-seleção, temos filmes maravilhosos, mas que na curadoria definitiva no momento da sessão, acabam não sendo exibidos pelo rumo que a programação toma ao longo da noite. A resposta do público é rápida e um grande termômetro: na hora nos dizem se gostaram ou não e não se sentem nem um pouco constrangidos de abandonar o local por ser uma sessão ao ar livre. O público sabe ser muito companheiro e também cruel, é preciso lidar com os dois lados da moeda e com a diversidade de moedas presentes.

Publicamos no blog os relatos das sessões e neles, já estavam presentes os filmes exibidos em cada uma delas. Não divulgamos a lista completa assim que o projeto iniciou pois só após as sessões acontecerem é que podemos saber se o filme de fato entrou na mostra e foi exibido. Sentimos muito não termos passado muitos filmes pré-selecionados e com o cancelamento da sessão de Piranhas, nas margens do São Francisco, infelizmente alguns filmes de pescadores pré-selecionados para a ocasião não puderam aportar em nossa vela.

Por isso também pedimos, no momento da inscrição, que o realizador concorde que o filme faça parte do acervo do cinema itinerante da Ideário. Assim ele pode ser exibido nas sessões cineclubistas e ações de democratização do cinema realizadas durante todo o ano em outros espaços e no ponto de cultura. Oportunidades não faltarão!

Agradecemos a parceria da Cinemateca da França, que disponibilizou as fantásticas animações da mostra Résolument Animés e algumas ficções para exibição na vela, aproveitando o mote do ano da França no Brasil.

Agradecemos imensamente e principalmente todos os realizadores que enviaram seus filmes para o Acenda uma Vela 4 e esperamos sempre contar com esta parceria pela democratização do cinema brasileiro, que como diria Hermano, não faz nenhum sentido sem o povo brasileiro.

Filmes são feitos para serem vistos e enquanto pudermos, abriremos nossas velas para que isso seja possível pra quem não mora na capital ou perto de shopping center, pra quem não pode pagar uma entrada de cinema ou alugar um filme na locadora, pra quem não tem internet, TV a cabo e não tem acesso à festival de cinema para ver curta-metragem. Para o povo brasileiro.
Em breve postaremos aqui no blog o vídeo sobre a 4ª edição.
Viva ao cinema brasileiro e viva ao cinema de curta metragem!

::: Lista de filmes exibidos durante a itinerância 2009

A VELHA A FIAR
(RJ)

DIREÇÃO: Humberto Mauro

ÁRVORE DA MISÉRIA (PB)
DIREÇÃO: Marcos Vilar

ATÉ O SOL RAIÁ (PE)
DIREÇÃO: Fernando Jorge e Leandro Amorim

CAMPO BRANCO (CE)
DIREÇÃO: Telmo Carvalho

DESALMADA E ATREVIDA (AL)
DIREÇÃO: Pedro da Rocha

DOSSIÊ RÊ BORDOSA (SP)
DIREÇÃO: César Cabral

HISTORIETAS ASSOMBRADAS
(PARA CRIANÇAS MAL-CRIADAS) (SP)
DIREÇÃO: Vitor-Hugo Borges

JANELA ABERTA (SP)
DIREÇÃO: Phillipe Barcinski

LELÊ / videoclipe (PB)
DIREÇÃO: Carlos Dowling e Shiko

LEONEL PÉ-DE-VENTO (RS)
DIREÇÃO: Jair Giacomini

LÚMEN (MG)
DIREÇÃO: William Salvador

MANÉ GOSTOSO (AL)
DIREÇÃO: Alice Jardim e Larissa Lisboa

MEOW (BSB)
DIREÇÃO: Marcos Magalhães

O JUMENTO SANTO E A CIDADE
QUE SE ACABOU ANTES DE COMEÇAR (PE)
DIREÇÃO: Leo D. e William Paiva

O MEIO DO MUNDO (PB)
DIREÇÃO: Marcos Vilar

O MÚSICO E O CAVALO (RJ)
DIREÇÃO: Telmo Carvalho

O PATO (RJ)
DIREÇÃO: Andres Lieben

ONDE A CORUJA DORME (RJ)
DIREÇÃO: Marcia Derraick e Simplício Neto

PALÍNDROMO (SP)
DIREÇÃO: Phillipe Barcinski

SALIVA (SP)
DIREÇÃO: Esmir Filho

SÃO LUIS CALEIDOSCÓPIO (MA)
DIREÇÃO: Hermano Figueiredo

SERTÃO DE ACRÍLICO AZUL PISCINA (PE)
DIREÇÃO: Marcelo Gomes e Karim Aïnouz

TEM UM DRAGÃO NO MEU BAÚ (RJ)
DIREÇÃO: Rosaria

VIDA MARIA (CE)
DIREÇÃO: Márcio Ramos

VINIL VERDE (PE)
DIREÇÃO: Kléber Mendonça Filho

A QUOI ÇA SERT L'AMOUR (FRA)
DIREÇÃO: Louis Clichy

BERNI'S DOLL (FRA)
DIREÇÃO: Yann Jouette

COUER DE SECOURS (FRA)
DIREÇÃO: Piotr Kamler

EL DESAFIO A LA MUERTE (FRA)
DIREÇÃO: Juan Pablo Zaramella

EN TUS BRAZOS (FRA)
DIREÇÃO: François-Xavier Goby, Édouard Jouret e Matthieu Landour

GRATTE-PAPIER (FRA)
DIREÇÃO: Guillaume Martinez

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

E no bis, o seminário

ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO
::: Maceió, Espaço Cultural Linda Mascarenhas (IZP)
Segunda, terça e quarta
15, 16 e 17/06/09
Seminário Circuito em construção + Acenda uma Vela 4

A impossibilidade da tão esperada sessão de Piranhas teve o seu lado bom: realizamos um importante seminário sobre formação e auto-sustentabilidade cineclubista em Alagoas. Durante três dias, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, o CIRCUITO EM CONSTRUÇÃO + ACENDA UMA VELA – SEMINÁRIO PARA A FORMAÇÃO E AUTO-SUSTENTABILIDADE CINECLUBISTA reuniu cineclubes, interessados no assunto e importantes nomes do cenário audiovisual brasileiro e local. O objetivo foi discutir a formação e a manutenção de cineclubes, com temas como leis de incentivo, direitos autorais, programação, distribuidores de conteúdo e formação de redes locais.

O projeto Circuito em Construção é realizado pela Associação Cultural Tela Brasilis (RJ) e passou por quase todas as capitais brasileiras. O seu foco é a auto-sustentabilidade cineclubista sob a lógica da Economia da Cultura e através da parceria com o Acenda uma Vela, introduzimos grande conteúdo inicial sobre formação cineclubista, pois sabíamos que as dúvidas sobre o assunto ainda persistem por aqui e fazem com que a atividade não forme um corpo autônomo e bem estruturado.

Assim, de uma sessão inicialmente furada pelas chuvas constantes, colocamos de pé, com bastante desenvoltura e alguns imprevistos, o primeiro evento exclusivo sobre cineclubes do Estado de Alagoas.

Para compor a programação, trouxemos Eduardo Ades (Coordenador do Circuito em Construção e da Associação Cultural Tela Brasilis), Frederico Cardoso (Coordenador Executivo Cine Mais Cultura/MinC), Hermano Figueiredo (Coordenador da Rede Olhar Brasil/MinC e idealizador do Acenda uma Vela), Nadja Rocha (Técnica em audiovisual do SESC/AL), Pedro da Rocha (Presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas de Alagoas) e Nataska Conrado e eu (Tela Tudo Clube de Cinema/AL).

Chegamos logo cedo na manhã do primeiro dia para montar um cenário no mínimo interessante aos olhos cineclubistas. Não queríamos adotar a formação tradicional de um seminário, com uma mesa longa diante da platéia, onde até mesmo entre os próprios palestrantes é difícil manter algum contato verbal e visual. Aproveitamos a estrutura pequena e aconchegante do teatro para fazer do palco uma praça simples para uma discussão descontraída sobre cinema.

Montamos a estrutura de projeção de slides atrás de dois bancos de praça dispostos em diagonal de frente para a platéia e em seguida, colocamos um segundo projetor voltado para o teto, pois abrir a nossa vela, mesmo no teatro, era essencial. Projetamos no teto as fotos das sessões da 4ª temporada, criando uma iluminação artificial para o ambiente enquanto a vela mostrava sua itinerância através das fotografias de Nataska.

Faltou energia quando estávamos com tudo montado quase uma hora e meia antes do início do seminário. Sem energia, nada de microfones, projetores e tudo mais eletronicamente montado para que o evento fosse dinâmico.

E assim, após evocado o imprevisto, lá fomos nós: dois fusíveis queimados até descobrirem que a tomada do palco não podia ser usada; o vôo da gol atrasou com Frederico e Eduardo, que estavam na segunda rodada do seminário; uma manifestação do Movimento Moradia fechou a rua principal de descida do aeroporto, atrasando ainda mais os palestrantes; só começamos às 15:30h, quando estava marcado para às 14h.

A regra é clara: a combinação de todos os imprevistos sempre gera vários e pequenos imprevistos, que devem ser administrados em relação aos maiores sem esquecer das suas independências.

E lá fomos nós tentar o equilíbrio na imprevista ladeira.

Nossa preocupação maior era com o esvaziamento do seminário. Sabíamos da difícil missão de propor algo interessante para os cineclubistas atuantes no Estado, que andam sem muita periodicidade nas ações e com o ânimo meio frouxo, e para os novos interessados, que precisavam de uma instigação prática e paupável para estenterem finalmente suas telas e segurá-las abertas, pois este, de fato, é o grande desafio. Optamos por utilizar nossas experiências, através do cineclube Ideário e do Tela Tudo Clube de Cinema, para dar essa costura animadora aos dois grupos presentes.

Hermano deu início ao seminário em um momento que chamamos de instigação cineclubista. Com 30 anos de cineclubismo na bagagem e tendo escrito muitos textos e um pequeno manual sobre o assunto, suas histórias são sempre garantia de muitas risadas, poesia e percepções fantásticas: verdadeiras pérolas que ele deixa pelo caminho para os mais atentos. Nesse ritmo, Hermano segurou pouco mais de uma hora de seminário, onde esclareceu importantes dúvidas e deu alguns "nortes" para os menos informados.

A boa energia de suas histórias trouxe-nos sorte. A luz voltou e após o intervalo do lanche, Frederico e Eduardo conseguiram chegar do aeroporto. Daí por diante, a tranquilidade e a produtividade foram companheiras e pudemos colocar em prática o planejamento para os três dias. O resultado foi surpreendente.

Nos dois primeiros dias, intercalamos os eixos temáticos citados com a exibição de dois filmes da série de três curtas-metragens sobre cineclubismo, chamada Diálogos. Realizada pelos cineclubistas da Pão com Ovo Filmes de Santa Maria (RS), é o material em vídeo mais completo sobre o assunto que conhecemos até então. Apesar das dificuldades técnicas pela gravação com câmeras simples, os curtas discutem o conceito de cineclube, apresentam relatos de experiências de cineclubistas de vários estados do Brasil e da América Latina e traçam um importante panorama do movimento brasileiro. Após assistir a série, uma palavra essencial à atividade cineclubista fica na cabeça: diversidade.

A idéia do terceiro dia do seminário era promover uma espécie de encontro entre os cineclubes atuantes aqui, mas no decorrer do evento e pelas fichas de inscrição, percebemos que a maior parte do público era formada por cineclubistas iniciantes e aspirantes. Assim, eu e Nataska optamos por fazer um passo a passo com os principais conceitos abordados nos dias anteriores. Em seguida, uma discussão sobre a formação do olhar e do espectador crítico, além de questões práticas dos cineclubes através do Tela Tudo e da Ideário, como divulgação, programação e parcerias.

Como não podia faltar um espaço para "cineclubar" de verdade, reservamos mais da metade da última tarde do evento para a exibição e discussão de filmes. Na tela e nas falas dos presentes, revesaram-se os curtas SERTÃO DE ACRÍLICO AZUL PISCINA (Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, PE), O MEIO DO MUNDO (Marcos Vilar, PB) e as animações BERNI'S DOLL ("A boneca de Berni", Yann Jouette, FRA) e COUER DE SECOURS ("Um coração para Emergências", Piotr Kamler, FRA).

Nos despedimos com a sensação de ter derramado algumas sementes e recolhido outras tantas. O objetivo de dar um primeiro passo concreto em direção ao intercâmbio de experiências e idéias entre todos que pensam e agem pelo cineclubismo foi, sem dúvida, alcançado.

Certa vez, em uma reunião do cineclube para dividir tarefas, alguém do grupo me questionou se "o movimento cineclubista era feito somente de apaixonados". Na hora respondi "que não necessariamente, que existem muitas formas e etc", mas nunca esqueci essa pergunta e vez por outra ela me torna à cabeça quando percebo o esvaziamento de espaços como estes. Cada vez mais sinto que a paixão é essencial. Não para começar, mas para manter o projetor ligado e a tela acesa. O mínimo de paixão que seja. Só não sei responder quando a paixão pode ser mínima...

Pois bem. Fortalecimento do trabalho e do pensamento coletivo são coisas que sentimos falta por aqui. Há muita gente com propostas bacanas e engajadas, mas que pelo trabalho solitário acabam bloqueadas no meio do caminho pelos obstáculos. "Se você tiver uma maçã e eu tiver uma maçã, e trocarmos as maçãs, então cada um continuará com uma maçã. Mas se você tiver uma idéia e eu tiver uma idéia, e trocarmos estas idéias, então cada um de nós terá duas idéias” (Bernard Shaw).
Simples assim.

Agora peço licença para terminar com um viva ao cineclubismo e ao cinema brasileiro.
Que viva!
Até a próxima temporada!

Ah, e filmes são feitos para serem vistos.



GALERIA DE FOTOS :::




Em pauta: parcerias institucionais e fortalecimento das redes locais.
Hermano, Nadja, Frederico e Larissa Lisboa (ABD&C/AL)como mediadora.
[Foto: Nataska Conrado]

O público da vela não poderia faltar ao nosso seminário.
[Foto: Nataska Conrado]

Frederico Cardoso, coordenador do Cine+Cultura (MinC)
fala sobre distribuição de conteúdo para os cineclubes brasileiros.
[Foto: Nataska Conrado]



Hermano Figueiredo, idealizador do Acenda uma Vela:
presença no seminário e na projeção da itinerância.
[Foto: Nataska Conrado]



Último dia do circuito em construção. As cineclubistas da Ideário
e do Tela Tudo, Lis e Nataska, compartilham suas experiências.
[Foto frame]



Exibição da série cineclubista DIÁLOGOS. Relato de experiências
de cineclubes do Brasil e da América Latina.
[Foto frame]

Eduardo Ades, coordenador do circuito em construção,
na discussão sobre direitos autorais e do público.
[Foto: Nataska Conrado]

A exibição do curta O MEIO DO MUNDO, de Marcos Vilar (PB),
encerrou as atividades na praça cineclubista.
[Foto: Nataska Conrado]



Chuvas e canoa furada

[ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO
::: Sessão cancelada

Após a sessão do Posto 7, a mais esperada da temporada era a de Piranhas, às margens do Rio São Francisco. Ela aconteceria depois da sessão da Massagueira e sua pré-produção já estava em cima. Após a visita de Maria Claúdia, produtora do Acenda uma Vela, aos nossos parceiros na cidade, decidimos que a exibição seria feita na histórica e já extinta Canoa de Tolda, símbolo da luta pela revitalização do velho Chico.

Faríamos dois dias de exibição e em um deles, a mostra infantil Acenda uma Velinha, mas infelizmente as chuvas do mês de maio impediram a sessão. O nível do rio subiu e transbordou, a cidade ficou sem luz e sem ter como receber o nosso projeto. Após semanas de telefonemas diários para a cidade, desistimos quase em cima da hora, pois queríamos tentar até o último segundo.

A prefeitura e o Instituto Palmas, nossos parceiros em Piranhas, nos convenceram de que não havia condição para o evento. Datas posteriores iriam chocar com o calendário das atividades culturais já previstas na cidade e o nosso prazo para finalizar o projeto. É, triste assim.

Ficamos então com a promessa de uma sessão em Piranhas na próxima temporada, com sol e é claro, canoa de tolda.

Agradecimentos fraternos à Secretaria de Cultura de Piranhas e ao Instituto Palmas.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Cinema, mosquitos e despedida

[ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO
::: Marechal Deodoro, Massagüeira / Lagoa Mangüaba
Sexta-feira, 17/04/09
Mostra geral

Tarde fria. A lagoa Mangüaba estava lisa e espelhada quando chegamos, como promessa de chuva. Poucas pessoas passavam nas ruelas da Massagüeira e fora o barulho da retirada dos equipamentos da van, o dia morria em silêncio e mosquitos. Não demorou para que alguns barcos acrescentassem ao silêncio o ronco de seus motores, deixando rastros na água que se estendiam até mesmo por minutos.

A equipe de produção já tinha feito, durante a semana, uma verdadeira peregrinação atrás de uma embarcação à vela que pudesse ser usada para o cinema. Quem não conhece a Massagüeira não imagina a quantidade de ruelas e caminhos que esconde, principalmente quando se busca o Seu Zequinha, dono da vela alugada para a sessão.

Não era pesada como as jangadas de costume e também não era jangada, nem canoa, nem vela. "Isso é barco", disse-nos ele. E não precisava de força para ser carregado e sim, muito jeito para passá-lo pelos espaços estreitos entre os bancos e árvores da praça central, em frente à Igreja Divina Pastora, local escolhido para a exibição.

De um lado a Igreja, fechada naquele dia, em seguida uma rua de pedras e assim a praça, com uma cruz de uns 3 metros de altura cravada no meio, mais perto da balaustrada. E depois já era lagoa e na outra margem, a Ilha das Cabras, com poucas casas silenciosas e janelas à meia-luz.

Equipamentos montados, vela no mastro, o mastro no barco. Dvd "teste" enquanto as cigarras e o ranger da cama elástica, instalada mais ao canto da praça para as crianças, davam melodia ao silêncio naquele fim de tarde. Algumas famílias começaram a chegar de barco para ver o cinema de pé na embarcação, no meio do breu da lagoa.

Começou a chuviscar e os mosquitos devoravam as pernas inocentemente descobertas. Uma das crianças nos mostrou a direção de uma banquinha onde havia repelente e usamos quase todo o frasco para banhar a equipe. Às dezoito horas a vela já estava montada com os equipamentos, porém, uma chuvinha fina fez com que o primeiro filme da noite, O JUMENTO SANTO E A CIDADE QUE SE ACABOU ANTES DE COMEÇAR, começasse mesmo apenas às dezenove e quinze.

O público, no início composto em sua quase totalidade por crianças, aos poucos foi se tornando mais heterogêneo e participativo: 220 pessoas que gargalhavam, cantavam e batiam palmas com os filmes, principalmente com os de maior apelo popular, como ATÉ O SOL RAIÁ e DESALMADA E ATREVIDA. Em A ÁRVORE DA MISÉRIA, as risadas altas embalaram a armadilha de D. Miséria para a morte. O eleito clássico do terror para crianças em nossas exibições itinerantes, o curta VINIL VERDE, arrancou gritos e manifestações de bis de quase todos os presentes, e mães satisfeitas diziam em alto e bom som para os filhos: "Tá vendo o que acontece com criança que não obedece?".

Na programação da noite, O JUMENTO SANTO E A CIDADE QUE SE ACABOU ANTES DE COMEÇAR (Leo D e William Paiva, PE), VIDA MARIA (Márcio Ramos, CE), ATÉ O SOL RAIÁ (Fernando Jorge e Leandro Amorim, PE), DESALMADA E ATREVIDA (Pedro da Rocha, AL), A ÁRVORE DA MISÉRIA (Marcos Vilar, PB), VINIL VERDE (Kléber Mendonça, PE), CAMPO BRANCO (Telmo Carvalho, CE) e PALÍNDROMO (Philippe Barcinski, SP).

Uma grande platéia se formou na escadaria da igreja, mais ao fundo da sessão, e grupos de crianças se juntaram atrás da vela para ver o cinema mais de perto. Motocicletas e bicicletas faziam as vezes de poltronas para os casais de namorados, assim como um antigo Gol BX, modelo popular nos anos 80, servia de parada, com as portas escancaradas, para cinco marmanjos que gargalhavam com os filmes e tomavam uma cervejinha apoiada em um engradado de refrigerantes. Uma banca de sorvetes, vermelha e enferrujada, reunia senhoras e suas filhas para a sessão.

A programação geral terminou às dez da noite, pois havia um bingo marcado na igreja para arrecadar os fundos da festa da padroeira. A cartela custava 2 reais, e entre os prêmios, cachos de banana, bandejas de coxinhas e maçãs do amor. No alto da vela, em linha perfeita com o mastro, as três marias marcavam, nostalgicamente, a última projeção da noite e da temporada, assim como na primeira sessão em Marechal.

Recolhemos nosso cinema entre chuviscos, gritos de números e bingo, e novamente, muita saudade.


GALERIA DE FOTOS :::



Início da sessão com O JUMENTO SANTO E A CIDADE
QUE SE ACABOU ANTES DE COMEÇAR
, com um público ainda pequeno.
[Foto: Nataska Conrado]

O público cresce para ver cinema brasileiro de curta-metragem.
[Foto: Nataska Conrado]

Câmera escondida. Olhos vidrados em VINIL VERDE.
[Foto: Nataska Conrado]

DESALMADA E ATREVIDA. Motos e bicicletas trazem uma
platéia itinerante, assim como o cinema na vela.
[Foto: Nataska Conrado]

220 pessoas do meio da sessão até o final.
O Acenda uma Vela se despede da equipe
e do seu público até a próxima temporada.
[Foto: Nataska Conrado]

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Cinema para poucos olhos e muitas gargalhadas

[ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO
::: Maceió, Vergel do Lago / Lagoa Mundaú
Quinta-feira, 02/04/09
Mostra geral
Evento organizado pelos jovens do Ponto de Cultura Ideário

Chegamos com os jovens ao local ainda às três da tarde. Ventava muito e transportamos os equipamentos da van até o nosso ponto de apoio, o bar da Dona Cícera. O local escolhido para exibição foi a Praça do Milênio e durante toda tarde a bicleta de som passou pela comunidade avisando a chegada do cinema.

Sabíamos da dificuldade de público para aquela noite, pois as famílias do Vergel não costumam sair de casa após a hora do café pelo perigo da região. Para nossa sorte, um dos jovens do Ponto de Cultura pertencia à comunidade e através dele, conseguimos autorização do grupo que "controla o pedaço" e gentilmente aceitou dividí-lo com o nosso cinema.

Não pudemos colocar a vela na água, pois ficaria muito mais baixa que a platéia pela geografia do local, dificultando a visibilidade. Com a ajuda de moradores da comunidade, os jovens trouxeram a embarcação para cima, colocando-a em um pedaço de grama próximo à lagoa Mundaú. Tivemos que improvisar a fixação do mastro e seu ajuste à vela do projeto, pois a original da embarcação era negra e embaçada, assim o céu naquela noite de nuvens mais escuras e alguns chuviscos.

O evento começou às 18h e a jovem apresentadora Carla, de apenas 16 anos, surpreendeu a todos pela desenvoltura ao microfone, e entre gírias articuladas de forma séria pela responsabilidade da função, animou as crianças, idosos e adultos que aos poucos apareciam para a sessão. Ainda no início da exibição, Alverite Jr., um dos jovens produtores e moradores da comunidade, concedeu entrevista à TV Educativa local com bastante segurança e falou da importância de levar o cinema para comunidades que não tem acesso aos bens culturais e da sua emoção ao trabalhar para que o Acenda uma Vela acontecesse no seu bairro.

A mostra foi aberta com o videoclipe LELÊ e foi composta em sua maioria por animações, pois era grande o número de pequenos de pés descalços diante da vela. Somente após o meio da noite, as crianças começaram a ir dormir e mais adultos saíram de suas casas, o que trouxe para a vela os filmes de ficção de temática mais reflexiva, como ÁRVORE DA MISÉRIA e VIDA MARIA.

Na programação da noite, estavam LELÊ (Carlos Dowling e Shiko, PB), ATÉ O SOL RAIÁ (Fernando Jorge e Leanndro Amorim, PE), MEOW (Marcos Magalhães, BSB), VINIL VERDE (Kléber Mendonça, PE), HISTORIETAS ASSOMBRADAS PARA CRIANÇAS MAL-CRIADAS (Vítor Hugo Borges, SP), DESALMADA E ATREVIDA (Pedro da Rocha, AL), ÁRVORE DA MISÉRIA (Marcos Vilar, PB), VIDA MARIA (Márcio Ramos, CE) e A VELHA A FIAR (Humberto Mauro, RJ).

O filme mais comemorado da noite foi a animação MEOW, de 1981, que levou o público às gargalhadas. No final, as crianças cantaram aos gritos, junto com a apresentadora, a música Atirei o pau no gato, pois um dos meninos da platéia tinha como apelido o nome do filme.

O público foi pequeno, 100 pessoas, porém bastante animado e participativo. Ao final da sessão, as crianças correram em direção à vela para tentar tocar na luz que estranhamente contava histórias e trazia o cinema para os olhos supresos.


[GALERIA DE FOTOS :::


Vista da Praça do Milênio, Vergel. A vela, pequena e
iluminada, divide o espaço com as estruturas de concreto.
[Foto: Nataska Conrado]



Crianças na frente, adultos na fileira de trás.
Cadeiras de plástico viram poltrona no cinema de rua.
[Foto: Nataska Conrado]


Junto à vela, Carla, a jovem apresentadora: 16 anos e
desenvoltura ao falar de cinema ao microfone
[Foto: Nataska Conrado]

Público e cinema se encaram. Gargalhadas e descontração
com a animação pernambucana
ATÉ O SOL RAIÁ
[Foto: Nataska Conrado]


Uma equipe de jovens cineclubistas


A sessão do Dique Estrada, no bairro maceioense Vergel do Lago, às margens da lagoa Mundaú, foi bastante peculiar, principalmente por dois motivos: iniciou a etapa voltada para Formação Cineclubista desta edição e foi organizada pelos jovens do Ponto de Cultura Ideário (PCI), que pela primeira vez experimentaram atuar como profissionais do projeto nas mais diversas funções. Durante a semana de 25 de março até 02 de abril, dia da exibição, os jovens passaram pelo LABORATÓRIO DE PRODUÇÃO DO ACENDA UMA VELA, dividido em duas partes ministradas por Nataska Conrado, Maria Claúdia e Graça Cavalcante.

Na primeira, mais teórica e reflexiva, foi apresentada a proposta de união do Acenda uma Vela com o Ponto de Cultura, histórico e objetivos de democratização audiovisual do projeto, estruturação e divulgação, equipe, funções, atribuições, culminando com um ensaio prático da sessão programada para o Vergel. Nele, os 12 jovens organizaram uma sessão de cinema na comunidade periférica Novo Horizonte, no bairro de Cruz das almas, onde tiveram a chance de experimentar e analisar as dificuldades do processo.

Na segunda etapa, mais laboratorial, os jovens se dividiram em equipes espelhadas nas funções exercidas pela equipe original do AUV4: curadores, produtores e assistentes, fotógrafos, cinegrafista e apresentadora começaram a cumprir suas agendas de atividades para a realização do evento programado para o Dique Estrada no dia 02. A equipe original do Acenda uma Vela ficou responsável pela divulgação nos meios de comunicação e providências relacionadas à transporte e alimentação, além de acompanhar o desempenho e auxiliar os diferentes grupos de produção.

As atividades foram divididas voluntariamente entre os jovens, compondo a equipe abaixo. A equipe original do projeto também fez o registro do evento em fotografia e vídeo.

PRÉ-PRODUÇÃO:
Produtores: Vanessa e Alverite Jr.
Assistentes de produção: José Pinto, Jaqueline, Ádria, Klérik
Curadores: Alisson, Geraldo, Shirley e Júnior

PRODUÇÃO:
Produção: Vanessa e Alverite Jr.
Apresentadora: Carla
Operador Técnico: Alisson
Fotógrafos: Jaqueline e Jandi
Cinegrafista: Ádria

Os jovens do PCI conseguiram organizar a sessão com sucesso e com poucos problemas de produção, o que os encheu de orgulho pelo bom trabalho realizado. Com o processo, eles puderam se aproximar e compreender na prática a importância da democratização do acesso à cultura e se sentiram mais seguros para propor ações semelhantes nas comunidades onde moram.


[GALERIA DE FOTOS :::


Sessão "teste" organizada pelos jovens do PCI
na comunidade Novo Horizonte, Cruz das Almas
[Foto: Nataska Conrado]

[Foto: Nataska Conrado]



[Foto: Nataska Conrado]



terça-feira, 9 de junho de 2009

Cineclubes na berlinda

Circuito em Construção e Acenda uma Vela promovem seminário para discutir a formação e a auto-sustentabilidade cineclubista em Alagoas


A Associação Cultural Tela Brasilis (RJ), em parceria com a Ideário, realizará em Alagoas o CIRCUITO EM CONSTRUÇÃO + ACENDA UMA VELA – SEMINÁRIO PARA A FORMAÇÃO E AUTO-SUSTENTABILIDADE CINECLUBISTA nos dias 15, 16 e 17 de junho, a partir das 14h, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas (IZP). O objetivo do evento é incentivar a formação e a manutenção de cineclubes, através da discussão de temas como leis de incentivo, direitos autorais, programação, distribuidores de conteúdo e formação de redes locais.

Durante o seminário, nomes importantes do cenário audiovisual nacional discutirão os eixos propostos com a intenção de fortalecer a atividade cineclubista no Estado, esclarecendo dúvidas e promovendo o debate com os participantes. Na programação, estão Eduardo Ades (Coordenador do Circuito em Construção e da Associação Cultural Tela Brasilis), Frederico Cardoso (Coordenador Executivo Cine Mais Cultura/MinC), Antonio Claudino de Jesus (Presidente do Conselho Nacional do Cineclubes), Hermano Figueiredo (Coordenador da Rede Olhar Brasil/MinC e idealizador do Acenda uma Vela), Pedro da Rocha (Presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas de Alagoas) e Nataska Conrado (Tela Tudo Clube de Cinema/AL).

Dentro da programação do seminário, o Acenda uma Vela também realizará uma exibição de filmes em vela de jangada no dia 16, a partir das 20:30h, na praia de Garça Torta. O evento é gratuito e aberto ao público.

As inscrições para o CIRCUITO EM CONSTRUÇÃO são gratuitas e voltadas para cineclubistas, cinéfilos, estudantes, pontos de cultura, artistas, entre outros interessados em montar um cineclube. As vagas são limitadas à capacidade de lotação do espaço e para participar basta preencher a ficha de inscrição disponível para download no endereço http://www.acendaumavela.blogspot.com/ e enviá-la como anexo para o e-mail cineideario@gmail.com. Caso o número total de vagas não tenha sido preenchido até o dia 15, serão feitas inscrições no local, antes do início do seminário.

CIRCUITO EM CONSTRUÇÃO E ACENDA UMA VELA

O projeto CIRCUITO EM CONSTRUÇÃO tem o compromisso de desenvolver ambiente para que agentes de produção, distribuição e, sobretudo, exibição audiovisual, possam desempenhar suas atividades sob a lógica da Economia da Cultura, através do fortalecimento dos pontos de exibição já existentes e o estímulo à criação de outros, sob a lógica de uma rede multiplicadora. O projeto é realizado pela Associação Cultural Tela Brasilis (RJ), com patrocínio do Ministério da Cultura, e já passou por mais de 20 estados em todo Brasil.

O ACENDA UMA VELA é realizado pela ONG IDEÁRIO com o patrocínio do Ministério da Cultura (FNC) e proporciona lazer e debate sobre cinema para diversas localidades em Alagoas através da exibição de filmes em velas de jangada, além de estimular a formação cineclubista. Nesta 4ª edição/2009, já passou por Maragogi (Litoral Norte), Marechal Deodoro (beira da Lagoa Mundaú) e Maceió (capital).

Acender uma vela é uma atitude emblemática que chama a atenção para a necessidade de democratizar o audiovisual brasileiro. Os eventos do projeto são gratuitos e possuem um caráter político, poético e performático, sendo veículo para um cinema que fala da grande vida brasileira, que faz rir e chorar, distrai e faz pensar.

[DOWNLOADS:
Clique nos links abaixo para baixar.

. Programação do Seminário

. Ficha de Inscrição

quinta-feira, 21 de maio de 2009

E o cinema na vela dança

[ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO

::: Maceió, Posto 7 / Jatiúca

Sábado, 28/03/09
Mostra geral e DJ LAETITIA (Igor de Araújo e Nilton Resende)

A sessão de Maceió é sempre a maior do projeto e quase sempre uma das mais trabalhosas. Apesar de não exigir viagens para a pré-produção, levamos duas semanas para realizá-la, pois a idéia era transformar a areia numa pista de dança, após os filmes, em comemoração aos 4 anos do projeto.

Inicialmente o evento seria na Praia de Pajuçara, porém, no retorno da sessão do Francês, ainda na van, a equipe resolveu fazer mais uma vez no Posto 7, assim como no verão de 2006. A praia é uma das mais badaladas da cidade durante a noite e possui fácil acesso e geografia interessante por ser mais baixa que o nível da rua (permitindo dois andares de platéia), além de um público fiel de moradores, comerciantes e principalmente grandes grupos de jovens que se reúnem na areia em rodas de vinho e violão.

O spot do projeto rodou na Rádio Educativa (IZP) durante a semana, com várias inserções durante o dia e a bicicleta de som, utilizada até então na divulgação das sessões em comunidades mais distantes e menores, desta vez rodou em Maceió, de Cruz das Almas até a Pajuçara, durante todo o sábado. O bombardeio de e-flyers por listas de e-mail e orkuts substituíram os panfletos e bandeirolas estendidas nas praias por onde o cinema na vela passa.

Acertamos a jangada na tarde anterior, como de costume, e um jangadeiro da Ponta Verde prometeu estar no local da exibição antes das três da tarde. Contratar as jangadas do projeto é uma tarefa de confiança e sorte. Não há contratos formalizados além dos feitos com a boca e os olhos e geralmente os pescadores sequer possuem telefones para contato. Temos sempre que ter um plano B, C ou até mesmo D, caso o aperto de mão não tenha sido forte o suficiente para garantir uma vela no horário marcado para o cinema. Apesar do risco, durante essas 4 edições, as velas furadas foram poucas.

15h de sábado e nem sinal da vela acertada no mar. Fomos à Ponta Verde procurar o pescador e soubemos que ele tomou umas cervejas a mais no dia anterior e sequer havia aparecido na praia naquela tarde. Os demais jogavam dominó enquanto também tomavam sua cervejinha de sábado e nenhum possuía disposição e jangada própria para alugar. Conseguimos entrar em contato com o Seu Sudoeste, um pescador já velhinho que veio ao nosso encontro pedalando devagar sua bicicleta. Estávamos perto do início da sessão, marcada para 18h, e o mar já estava bastante alto para levar o barco por água.

Seu Sudoeste aceitou alugar a embarcação, porém, pela sua idade, disse não ter mais segurança e força para navegar sozinho com o vento e as ondas do Posto 7. Os pescadores se reuniram com a equipe de produção e após muitos acertos e desacertos, concluiu-se que encostar o barco na praia sem risco de acidente seria impossível para qualquer um, tanto pelo local escolhido para a sessão quanto pelo mar daquela hora.

As estruturas de som e luzes alugadas para colorir a areia e o público já estavam montadas na praia sem jangada. Foi então que um pescador chamado Irmão Coragem concordou em ceder seu barco, contanto que pudesse ser levado por terra. Corremos para fretar um caminhão enquanto dez homens empurravam a jangada da areia para a pista que ainda não era a de dança. Foi necessário erquer a embarcação para colocá-la na caçamba e os olhares curiosos dos pedestres no ponto de ônibus observavam os gritos de peso da gota e eitcha cinema pesado da bobônica que eram emitidos pelos homens com o casco do barco na cabeça, como uma grande barata.

A vela chegou na rua da praia faltando 20 minutos para o início da sessão. O mais rápido que podíamos, montamos a estrutura de exibição e a mesa para a dupla de DJ's com a ajuda dos pescadores e da equipe de som. A sessão começou somente às 19h e tivemos sorte do público só ter chegado de fato neste horário. O que de início parecia uma sessão tímida, com algumas pessoas de pé diante da vela e na platéia de cima, aos poucos foi tomando as proporções da noite: um público de mais de 450 pessoas.

Por ser na capital, sempre podemos experimentar um número maior de diferentes filmes e temáticas, pois geralmente não há crianças e idosos na platéia e há mais possibilidades para filmes legendados com um público formado em grande parte por estudantes do ensino médio e universitários da mínima classe média da cidade. O videoclipe LELÊ (Carlos Dowling e Shiko), da música do paraibano Chico Corea, abriu a mostra de Maceió e em seguida, curtas nacionais e franceses se revesaram na vela.

Algumas animações da mostra francesa Résolument Animés ainda não exibidas em nenhuma sessão, encheram a tela do Posto 7 junto com as já experimentadas: A QUOI ÇA SERT L'AMOUR, EN TUS BRAZOS, EL DESAFIO A LA MUERTE e BERNI'S DOLL, além do curta de ficção GRATTE-PAPIER. Dos curtas nacionais, foram exibidos a ÁRVORE DA MISÉRIA (Marcus Vilar, PB), CAMPO BRANCO (Telmo Carvalho, CE), SÃO LUIS CALEIDOSCÓPIO (Hermano Figueiredo, AL), SALIVA (Esmir Filho, SP), PALÍNDROMO (Philippe Barcinski, SP), MANÉ GOSTOSO (Larissa Lisboa e Alice Jardim, AL), JANELA ABERTA (Philippe Barcinski, SP), MEOW (Marcos Magalhães, BSB) e DOSSIÊ RÊ BORDOSA (César Cabral, SP).

Os filmes foram bastante aplaudidos e ao final da sessão, a dupla de DJ's LAETITIA, formada por IGOR DE ARAÚJO e NILTON RESENDE, tomou conta da areia da praia que pulsava com as luzes coloridas. Interagindo com a música, a vela da jangada permaneceu acesa com a projeção de um vídeo experimental montado pela equipe do projeto, com cenas de filmes, frases de cineastas sobre a essência do cinema e um ensaio fotográfico de AMANDA NASCIMENTO. As imagens dançavam na vela enquanto o público se balançava ao som de diversos hit's, principalmente dos anos 70, 80 e 90.

A festa terminou à meia-noite para não incomodar o sono dos prédios vizinhos. Em seguida, ajudamos a colocar a vela na água escura (e agora calma), e o Irmão Coragem voltou para casa remando seu barco chamado Brisa.

Mais distante do cinema, jovens vestidos de preto tocavam violão ao redor de uma fogueira feita com pedaços de madeira e caixas de papelão. Para nossa surpresa, a poluição do ceú da capital permitiu que umas poucas estrelas despontassem na noite fresca de música e cinema.


[ GALERIA DE FOTOS :::




O cinema só se completa com o público:
mais de 450 pessoas de olho no curta-metragem
[Foto: Nataska Conrado]


O cinema na vela ilumina a noite
de nuvens e poucas estrelas no Posto 7
[Foto: Nataska Conrado]

Após os filmes, a areia, agora colorida, vira
pista de dança ao som da dupla de DJ's LAETITIA
[Foto: Nataska Conrado]


E esse cinema...
[Foto: Nataska Conrado]

... sem tela
[Foto: Nataska Conrado]


...que passa pela cidade.
[Foto: Nataska Conrado]


Sentado ou em pé na areia, o público assiste o último
filme da noite, DOSSIÊ RÊ BORDOSA. Ao fundo,
mais gente para o cinema no muro e nos bares
[Foto: Nataska Conrado]




terça-feira, 5 de maio de 2009

O Francês no escuro do cinema

[ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO

::: Marechal Deodoro, Praia do Francês
Sábado, 14/03/09
Mostra geral


A van que nos levou à praia do Francês estacionou na rua atrás do local da exibição logo após o almoço. A tarde estava extremamente luminosa e ainda havia um número significativo de pessoas nas barracas por toda a extensão de areia.

O Francês é uma das praias turísticas mais conhecidas de Alagoas. Fica no município de Marechal Deodoro, algo próximo de 20 km da capital. É praia de areia branca e fina, daquelas que rangem no contato com os pés. Lugar de nativos, pescadores, naturebas, surfistas e turistas, há de tudo um pouco (e às vezes até em muito aos domingos).

Deixamos os equipamentos no nosso ponto de apoio, a barraca do Seu Zé Rosa. A equipe da Ong Salsa de Praia, que nos ajudou na pré-produção durante a semana, veio ao nosso encontro. Nos deram um filme sobre a pesca predatória para que fosse exibido durante à noite, porém, a mídia estava com defeito e não conseguimos reproduzir.

A equipe saiu para panfletar e balançar as bandeiras fosforescentes do projeto enquanto havia sol. Metade rodou pelas ruas de dentro chamando os moradores, outra parte correndo de mesa em mesa cada barraca. Às seis e meia, cinema na vela, curtas-metragens brasileiros de graça, é só chegar e assistir. Quase todas as pessoas se espantam com a idéia do filme na embarcação.

Escureceu e a jangada veio chegando pelo mar. O mastro teve que ser improvisado, pois era grande demais para o barco. As crianças logo cercaram a vela para assistir a raspagem do mastro com um facão de côco. A vela, menor do que de costume, foi costurada especialmente para o evento por um pescador de Marechal.

A barraca do Seu Rosa fica em cima de um banco de areia, cercado por grandes coqueiros próximos. A elevação se transformou numa espécie de segundo andar para a platéia, que bebericava enquanto assistia ao cinema por cima das pessoas sentadas na areia ou em cadeiras plásticas, deitadas em cangas, de pé ou encostadas em bicicletas.

A praia estava em escuro absoluto e só os filmes iluminavam os rostos de gente. Sobre a vela, havia uma concentração intrigante de estrelas exatamente em linha reta, como uma extensão da projeção no céu. Ao lado da tela, um cachorro branco feito leite se aconchegou na areia já escura pela noite. O público foi de umas 140 pessoas e podíamos perceber claramente os agrupamentos distintos de pescadores nativos, turistas, surfistas adolescentes e grupos de casais na terceira idade. Um grupo de jovens da cidade de Boca da Mata também veio especialmente para a sessão.

Na programação, a ÁRVORE DA MISÉRIA, O JUMENTO SANTO E A CIDADE QUE SE ACABOU ANTES DE COMEÇAR, SALIVA, ATÉ O SOL RAIÁ, ONDE A CORUJA DORME, VINIL VERDE, DESALMADA E ATREVIDA, PALÍNDROMO, VIDA MARIA, o videoclipe LELÊ e as animações da mostra francesa BERNI'S DOLL e EL DESAFIO A LA MUERTE garantiram a exibição até aproximadamente dez da noite.

Um argentino perguntou ao Seu Zé Rosa o porquê do nome da praia e ele respondeu que era qualquer coisa sobre franceses que levavam um pau do Brasil pelas águas. Ao fundo, a cidade de Maceió criava um rastro luminoso e indefinido que pulsava lentamente enquanto a sessão acontecia em silêncio e brisa agradável.


[ GALERIA DE FOTOS :::


Luz e sombra. Cinema estrelado na praia do Francês.
[Foto: Nataska Conrado]

O público e a poltrona de areia. Importante mesmo é ver cinema.
[Foto: Nataska Conrado]

A criação do mundo em O JUMENTO SANTO E A CIDADE QUE
SE ACABOU ANTES DE COMEÇAR
, de Leo D. e William Paiva (PE).
[Foto: Nataska Conrado]



segunda-feira, 4 de maio de 2009

Mais projeções em Maragogi

[ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO

::: Maragogi, Praia de Barra Grande
Sábado, 14/03/09
Mostra geral

Chegamos à praia de Barra Grande ainda de manhã e o mar estava de um azul celeste inacreditável. Procuramos a mesma pizzaria que nos apoiou no ano passado, mas suas paredes e alicerces haviam desaparecido do local e o beco estreito e relativamente charmoso ao lado dela se transformou em uma rua também relativamente larga.

Como de costume, procuramos alguém que nos cedesse energia elétrica e em seguida fomos atrás da nossa vela mais branca. Encontramos um pescador que aceitou receber a nossa gratificação para abrir sua vela à noite para o cinema e seu público, para as estrelas e o vento que mais tarde fez bochecha na tela triangular durante toda a sessão.

Fomos almoçar e tomar banho e voltamos mais tarde com um grupo de meninos que junto com a equipe, seguraram as bandeiras do projeto para divulgação. Rodamos pelas principais ruas do distrito chamando o povo para o cinema. Para nossa surpresa, a maré ainda estava muito alta e tivemos que procurar outro trecho mais recuado da praia para fazer as exibições.

Esta noite o público foi pequeno e companheiro: 60 pessoas que apreciaram a sessão até os créditos do último filme.


[ GALERIA DE FOTOS :::


ÁRVORE DA MISÉRIA, curta-metragem de
Marcus Vilar (PB), intrigou o público em Barra Grande.
[Foto: Nataska Conrado]


A premiada animação CAMPO BRANCO, de Telmo Carvalho (CE),
encantou as crianças com seu experimentalismo e colorido
das imagens dramáticas do sertanejo em meio à estiagem
[Foto: Nataska Conrado]


Um gato esfomeado fica sem leite e é convencido a tomar
um famoso refrigerante. MEOW, animação de Marcos Magalhães (BSB)
de 1981, arrancou gargalhadas e reflexão de crianças e adultos.
[Foto: Nataska Conrado]


Mãe dá a filha uma caixa cheia de velhos disquinhos coloridos.
A menina pode ouví-los, exceto um. VINIL VERDE,
de Kleber Mendonça Filho (PE), agradou os moradores do local
com sua estética estranha e montagem de suspense.
[Foto: Nataska Conrado]



quarta-feira, 8 de abril de 2009

A primeira sessão da temporada

[ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO

::: Maragogi, Praia de São Bento

Sexta-feira, 13/03/09
Acenda uma Velinha e mostra geral

Às cinco e meia a jangada estacionou no coqueiral e quinze minutos depois chegou o Cícero Bochechinha, dono da vela mais branca e mais nova da praia de São Bento, para substituir a vela surrada da embarcação. Às 18:30h o público, em sua grande maioria infanto-juvenil, já fazia de poltrona as toras de coqueiros e as calçadas das casas em frente à praia para assistir ao ACENDA UMA VELINHA, mostra criada desde a edição anterior e com uma programação especial para crianças.

Filmes de animação e de ficção antigos e recentes agradaram ao público, que acompanhou a vela com os olhos atentos e as mãos cheias de pipocas em saquinhos com a marca do projeto. Famílias inteiras em volta do cinema na vela, alguns com cadeiras trazidas de casa, outros com esteiras, e mais uns tantos sem cerimônia que se estenderam na areia mesmo.

Após uma hora e meia de ACENDA UMA VELINHA, pequeno intervalo e em seguida a mostra geral, que se estendeu pelo mesmo tempo de relógio, com uma programação bastante diversificada, entre curtas de ficção e animação nacionais de épocas distintas e curtas franceses animados da mostra Résolument Animés, praticamente inédita no Brasil.

Durante a sessão, foi lembrada a figura simpática do Seu Dilson, velhinho que tocava sanfona na calçada de casa em Maragogi e que nunca parecia se cansar da paisagem que viu durante toda sua vida. As únicas imagens em movimento que ficaram dele foram feitas pela equipe do ACENDA UMA VELA em sua 1ª edição no verão de 2006, quando foi entrevistado na calçada para depois ser visto na vela durante o evento da noite.

Os tipos eram bastante diversos e percebemos que os filmes agradavam diferentemente a cada grupo de pessoas. Sentimos falta, particularmente, de um extrato muito apreciador das sessões em Maragogi, os veranistas, que este ano não estiveram presentes pois o projeto começou mais tarde, após a partida deles.

Ao final da sessão, alívio pela primeira vela acesa e muita estrada pela frente: a itinerância do cinema apenas começou.

[ GALERIA DE FOTOS :::

ACENDA UMA VELINHA em São Bento, Maragogi.
Bandeirolas coloridas,
muita pipoca e curtas infantis
deixaram os olhos da criançada vidrados na vela
[Foto: Nataska Conrado]


Após a sessão, o público infantil fez festa com as
bandeirolas em miniatura do Acenda uma Vela
[Foto: Nataska Conrado]

A animação LÚMEN, de Wilian Salvador (MG),
divertiu crianças e adultos no Acenda uma Velinha.
[Foto: Nataska Conrado]


O visual do projeto

[ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO

Nesta edição, o ACENDA UMA VELA ganhou um visual peculiar em relação às outras temporadas. O trabalho com as tonalidades de verde garantiu ao material de divulgação um resultado bastante interessante e atraente nas mais diferentes superfícies, desde a parte gráfica até os adereços utilizados durante os eventos na areia. Foram confeccionados folders, camisetas, bottons e bandeirolas grandes e em verde fosforescente para avisar aos moradores da localidade e visitantes que a vela do cinema aportou. A identidade visual da 4ª edição é assinada pela designer e fotógrafa NATASKA CONRADO.




LOGOMARCA da 4ª edição


CAMISETAS. Modelos masculino e femino nas duas tonalidades de verde.


BOTTONS. Dois tipos.


FOLDER (frente e verso)




quinta-feira, 26 de março de 2009

A VELA DE JANGADA VAI VIRAR TELA DE CINEMA E A AREIA DA JATIÚCA UMA PISTA DE DANÇA!

[ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO



Céu estrelado, brisa do Atlântico, calmaria do rio ou da lagoa e filmes para todos os tipos de público. Este é o clima do projeto de cinema itinerante ACENDA UMA VELA, que na sua 4ª edição passará pela praia da Jatiúca, Posto 7, neste sábado (28), a partir das 18h. Curtas nacionais, videoclipes e uma mostra inédita de animações francesas irão compor a programação do evento, que irá misturar o cinema com a música da dupla de Dj's alagoanos LAETITIA. A VELA DE JANGADA VAI VIRAR TELA DE CINEMA E A AREIA DA PRAIA UMA PISTA DE DANÇA, NÃO PERCA!

A ação é realizada pela organização cultural IDEÁRIO com o patrocínio do MINISTÉRIO DA CULTURA (FNC) e proporciona lazer e debate sobre cinema para diversas localidades do Estado. Os eventos são totalmente gratuitos!

Acender uma vela é uma atitude emblemática que chama a atenção para a necessidade de democratizar o audiovisual brasileiro. A ação tem um caráter político, poético e performático, sendo veículo para um cinema que fala da grande vida brasileira, que faz rir e chorar, distrai e faz pensar.

NOVIDADES DA 4ª EDIÇÃO

Em relação às outras edições do projeto, a de 2009 guarda algumas peculiaridades:
A programação agora é composta em sua maioria por filmes enviados por realizadores de todas as regiões do Brasil, cada vez mais interessados em exibir suas produções de forma inusitada e para um público que em sua maioria não tem acesso à produção de curtas-metragens brasileiros.

Além dos filmes enviados e selecionados pela curadoria do projeto, curtas convidados, videoclipes e o acervo da central de acesso ao cinema brasileiro Programadora Brasil compõem a programação geral.

No ano da França no Brasil, o projeto também firmou parceria para a exibição de curtas franceses com a Cinemateca da Embaixada da França (RJ) e no neste sábado (28), no maior evento da itinerância, a mistura do cinema na vela com a música do DJ LAETITIA (Mcz/AL) reservará muitas surpresas para a noite na praia de Jatiúca, Posto 7.


-----[ ACENDA UMA VELA 4ª EDIÇÃO evento MACEIÓ

Quando: SÁBADO, 28 DE MARÇO, A PARTIR DAS 18h
Onde: PRAIA DE JATIÚCA, POSTO 7
Quanto: ENTRADA GRATUITA
Mais informações: cineideario@gmail.com


REALIZAÇÃO:
IDEÁRIO COMUNICAÇÃO E CULTURA

PATROCÍNIO:
SECRETARIA DO AUDIOVISUAL/ MINISTÉRIO DA CULTURA (FNC)

PARCERIA:
CINEMATECA DA EMBAIXADA DA FRANÇA
PROGRAMADORA BRASIL

APOIO CULTURAL:
INSTITUTO ZUMBI DOS PALMARES

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

ACENDA UMA VELA recebe filmes para a 4ª EDIÇÃO em 2009 até o início de março

[ACENDA UMA VELA, 4ª EDIÇÃO


Nas escolas, praças, velas de embarcações, paredes de edifícios, redes de dormir, nas barrigas de boi e de gente. O cinema no olho da rua, para todos os olhos. Este é o objetivo do cinema itinerante Ideário, que atua na democratização dos bens culturais, seduzindo e conquistando platéias dos bairros periféricos e cidades do interior do Nordeste com exibições audiovisuais em espaços públicos e nos suportes mais inusitados.


O projeto mais conhecido é o ACENDA UMA VELA, que exibe filmes em velas de jangada no estado de Alagoas. A atividade proporciona lazer e debate sobre cinema, nos moldes cineclubistas, para diversas comunidades. "É um cinema muito especial: o piso é de areia branca. O teto é o céu estrelado. O ar refrigerado é a brisa do Atlântico, e na jangada parada, imagens em movimento", garante o cineasta Hermano Figueiredo, idealizador do projeto.


Em 2009, o ACENDA UMA VELA chega a sua 4ª edição e contemplará cidades alagoanas como MACEIÓ (capital), MARAGOGI (Litoral Norte), PIRANHAS (região do Baixo São Francisco) e MARECHAL DEODORO (cidade histórica na beira da Lagoa Mundaú). O projeto é uma realização da organização cultural IDEÁRIO e os eventos são totalmente gratuitos. Além da mostra geral, há uma mostra específica para o público infanto-juvenil, intitulada ACENDA UMA VELINHA, com caráter lúdico e filmes próprios para a faixa etária.


Os interessados em enviar filmes deverão preencher o termo de autorização disponível para download no link abaixo e remetê-lo pelo correio, junto com cópia do filme em DVD, sinopse e ficha técnica, até o dia 13 de março de 2009 (data de postagem). Não há limite para o número de títulos enviados.

CLIQUE aqui para baixar
o termo de autorização

Os filmes recebidos serão submetidos à curadoria e os que não forem selecionados para esta edição, integrarão o acervo de cinema itinerante da Ideário, que realiza ações de caráter educativo e cultural pela democratização da produção audiovisual brasileira no Nordeste. A seleção pode ser acompanhada no blog do projeto.


O ACENDA UMA VELA é patrocinado pelo MINISTÉRIO DA CULTURA, através do Fundo Nacional de Cultura (FNC), e a cada ano recebe uma adesão maior de curta-metragistas brasileiros interessados em exibir seus filmes de forma inusitada e para um público que, em sua maioria, nunca foi ao cinema. Além dos filmes enviados, as sessões também contam com o acervo da PROGRAMADORA BRASIL.


Ao final do projeto, todos os realizadores receberão os resultados itinerância e material gráfico sobre a 4ª edição pelos correios. Somente os realizadores dos curtas selecionados receberão fotografias de suas exibições nas velas.


Acender uma vela é uma atitude emblemática que chama a atenção para a necessidade de gerar acesso ao audiovisual brasileiro. A ação tem um caráter político, poético e performático, sendo veículo para um cinema que fala da grande vida brasileira, que faz rir e chorar, distrai e faz pensar.


Mais informações através do e-mail cineideario@gmail.com


[ ENVIE SEU FILME!]
.....................
CINEMA ITINERANTE IDEÁRIO
Rua Gerson Wanderley, 410 - Cruz das Almas
CEP: 57037-490
MACEIÓ/ALAGOAS
.....................

Fotos dos 5 anos de cinema itinerante Ideário encerram a temporada

[ACENDA UMA VELA, 3ª EDIÇÃO

O último dia do projeto, 01 de março, no bairro do Jaraguá, foi bastante peculiar. A exposição fotográfica Cinema Itinerante Ideário ocupou o primeiro andar do Museu da Imagem e do Som de Alagoas (MISA) com os trabalhos de Nataska Conrado, Lula Castello Branco e Celso Brandão. Do lado de fora do museu, na praça Dois Leões, a vela acesa do projeto exibia curtas-metragens brasileiros para um público que se acomodava onde podia - deitado no chão, em pé, nas janelas do museu, pela calçada.


Na exposição, os três fotógrafos apresentaram diferentes olhares sobre os cinco anos de cinema itinerante da ONG, sendo três anos de Acenda uma Vela, através de fotografias digitais, analógicas, em cores e preto e branco, nos mais diferentes tamanhos. Poesia, sensibilidade, cinema e fotojornalismo se encontraram nas quase 100 fotos selecionadas para o evento.

Nataska Conrado, Lula Castello Branco e Celso Brandão:
fotógrafos
da exposição Cinema Itinerante Ideário
[Foto: Amanda Nascimento]


[Foto: Amanda Nascimento]


Em frente ao MISA, Hermano exibiu os filmes que mais agradaram o público durante a 3ª edição do projeto e ainda alguns inéditos, como o média documental Quando a maré encher, de Oscar Malta (PE), o curta de ficção de 1964, A velha a fiar, de Humberto Mauro (RJ) e o videoclipe Zé, de Marianna Bernardes (PE). A noite foi encerrada com a exibição do cômico Cine Holiúdy: O Astista Contra o Caba do Mal, de Halder Gomes (CE) e do vídeo final do projeto produzido pela Ideário.

O videoclipe Zé, de Marianna Bernardes, no encerramento
do projeto. Ao fundo, o Museu da Imagem e do Som de Alagoas
[Foto: Nataska Conrado]


.............................


[ FICHA TÉCNICA ACENDA UMA VELA 3ª EDIÇÃO

EQUIPE:.


HERMANO Figueiredo :. curador e apresentador
REGINA Célia Barbosa :. coordenação de produção
CLAÚDIA Maria da Silva :. produção executiva
ADSO Mendes :. coordenador técnico
NATASKA Conrado :. fotógrafa; assistente de produção
LIS Paim :. produção executiva mostra Acenda uma Velinha; assistente de produção; imagens extras
LULA Castello Branco :. fotógrafo
BRUNO Gonzalez :. câmera e editor

Realização :. IDEÁRIO Comunicação e Cultura
Patrocínio :. MINISTÉRIO DA CULTURA - Fundo Nacional de Cultura - Governo Federal

APOIOS INSTITUCIONAIS :.

Prefeitura Municipal de Maragogi - AL
Prefeitura Municipal de Piaçabuçu - AL
MISA - Museu da Imagem e do Som de Alagoas
Secretaria de Cultura - AL
Multirio - Empresa Municipal de Multimeios - RJ
Associação Olha o Chico - AL
Casa da Arte - AL
Ponto de Cultura ABC Guerreiros de Joana - AL
Boca da Noite Produções audiovisuais - AL

Agradecimento especial :. A TODOS OS REALIZADORES INDEPENDENTES E PRODUTORAS QUE ENVIARAM SEUS FILMES. A TODAS AS PESSOAS QUE INVESTIRAM ENERGIA E AMOR NESTE PROJETO.

FILMES SÃO FEITOS PARA SEREM VISTOS.

E as velas continuam. Cinema na capital e no Litoral Sul

[ACENDA UMA VELA, 3ª EDIÇÃO

Após passar pelas praias de Barra Grande, Centro, Peroba e São Bento em Maragogi, litoral norte de Alagoas, o projeto seguiu para o litoral Sul do Estado na sua segunda fase, durante o mês de fevereiro. Passou pelo bairro de Fernão Velho em Maceió e partiu em seguida para as exibições na beira do Rio São Francisco em Penedo, praia do Peba e beira do Rio Penedinho, em Piaçabuçu.


O documentário em 16mm do cineasta alagoano Celso Brandão também foi destaque no 5º dia da mostra itinerante, 16 de fevereiro, no bairro periférico de Fernão Velho, em Maceió. O filme Memória e vida do trabalho, produzido em 1984, foi o ponto mais alto do evento, pois trouxe para a vela as mudanças ocorridas em Fernão Velho, Saúde e Rio Largo há mais de 20 anos atrás, quando ainda eram vilas operárias que começavam a se transformar em bairros.


Antes do filme, o público muito calado, inquietava o curador do projeto, Hermano Figueiredo. Porém, foi só o documentário de Celso começar que muitos moradores mais antigos passaram a apontar eufóricos para a vela, pois se reconheceram nas imagens ou relembraram amigos e lugares que já não existem em Fernão atualmente.


Hermano Figueiredo, curador do projeto, e o seu cinema
de película na praça de Fernão Velho
[Foto: Nataska Conrado]


Memória e vida do trabalho (1984) foi exibido em 16mm sob
aplausos e com a presença do diretor Celso Brandão
[foto: Nataska Conrado]

Penedo, cidade mais antiga de Alagoas e famosa nacionalmente pelo extinto Festival do Cinema Brasileiro de Penedo (1975-1982), recebeu a vela do projeto no dia 21 de fevereiro. A exibição perto das balsas, na beira do rio São Francisco, atraiu o maior público da terceira edição: 350 pessoas ocuparam as cadeiras, o chão, as escadarias, barcos e o mirante do rio. Um pouco mais distantes da vela, havia famílias inteiras assistindo os filmes dentro dos automóveis estacionados.

A cidade histórica de Penedo, na beira do rio São Francisco,
foi o maior público da desta edição: 350 pessoas
[Foto: Nataska Conrado]

Canoa na água serve de assento para o cinema
no povoado de Penedinho, na beira do rio São Francisco
[Foto: Nataska Conrado]


A sessão em Penedo se estendeu um pouco mais e Hermano exibiu filmes que ainda não tinham participado dos outros eventos da edição, como os curtas A matadeira e Ilha das Flores, de Jorge Furtado (RS), o desenho animado Novela, de Otto Guerra (RS), e O Último Raio de Sol, com o ator Zé Dummond e direção de Bruno Torres (DF).

Lendas brasileiras, pipoca e muitas histórias numa vela em miniatura

[ACENDA UMA VELA, 3ª EDIÇÃO

No dia 19 de janeiro, na bucólica praia de São Bento, em Maragogi, o projeto Acenda uma Vela realizou pela primeira vez uma mostra exclusiva de filmes infanto-juvenis. Através da parceria com a Empresa Municipal de Multimeios do Rio de Janeiro, a MULTIRIO, que cedeu a série animada Juro que Vi sobre as lendas do folclore brasileiro, o ACENDA UMA VELINHA atraiu mais de 150 crianças do povoado e um grande número de adolescentes e adultos curiosos com as histórias de O curupira (2003), O boto (2005), Iara (2005) e Matinta Perera (2007).


Produzidos com técnica profissional de animação em 35 milímetros, os desenhos, com 10 minutos cada, foram realizados em parceria com alunos e professores da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro. As histórias são contadas através do olhar das crianças, que entraram em contato com as lendas brasileiras sob orientação dos professores, reunindo-se depois em oficinas da MultiRio para recontá-las e ajudar na construção do roteiro.

O Curupira no Acenda uma Velinha em São Bento - Maragogi, AL
[Foto: Nataska Conrado]


As animações também possuem versões para TV e receberam importantes prêmios nacionais e internacionais, entre eles o de melhor animação no Anima Mundi para O Curupira e O Boto no ano em que concorreram e melhor animação no Festival de Cinema de Gramado para Matinta Perera.


Antes da exibição da série, os atores alagoanos Naeliton Santos e Márcia Mariah, do filme Desalmada e Atrevida, fizeram uma dinâmica de "contação" de histórias com o livro Histórias da Lia, da escritora alagoana Regina Célia Barbosa. Em seguida, pediram às crianças que contassem suas próprias histórias em voz alta. As crianças receberam pipocas no saquinho personalizado do projeto e muitos bombons ao final dos filmes.


A tela utilizada para a mostra infanto-juvenil foi a vela de jangada de Davisson, de 13 anos, filho de pescador em Maragogi. A equipe do Acenda uma Vela produziu um vídeo sobre o garoto em uma de suas saídas para o mar e o exibiu na noite do Acenda uma Velinha sobre sua "vela-mirim", utilizada por ele para pescaria somente nas férias escolares.

Por trás da vela translúcida, crianças coladas na tela assistem aos desenhos. Abaixo, saquinhos personalizados do projeto, utilizados como candeeiros, iluminam as areias de São Bento
[Foto: Nataska Conrado]

Filmes de animação e documentários nas velas da 3ª edição

[ACENDA UMA VELA, 3ª EDIÇÃO

No verão de 2007/2008, o Acenda uma Vela chegou a sua 3ª edição e passou pelas cidades alagoanas de Maragogi, Penedo, Piaçabuçu e pela capital, Maceió, de janeiro até o início de março. Ao todo foram dez eventos, com uma média de público de 250 pessoas cada. As exibições gratuitas trouxeram curtas-metragens brasileiros dos mais diversos gêneros.


Pela ótima safra de animações brasileiras no último ano, o projeto exibiu muitas delas em sua programação, conquistando público das mais diferentes idades. O vencedor do Festival Anima Mundi de 2007, o 3D Até o Sol Raiá, de Fernando Jorge e Leanndro Amorim (PE), assim como Vida Maria, de Márcio Ramos (CE) e Historietas Assombradas (Para crianças mal criadas), de Vitor-Hugo Borges (SP), estiveram entre as animações que mais conquistaram os alagoanos.


Exibição de Historietas Assombradas no povoado
de Penedinho, AL : um dos maiores públicos infantis do projeto
[Foto: Lula Castello Branco]



Depois de vencer o Anima Mundi do Rio e de São Paulo,
Até o Sol Raiá foi um dos maiores destaques do projeto
[Foto: Nataska Conrado]

Apesar do sucesso dos filmes animados, o documentário Samba de Matuto, de Eliane Macedo (PE), foi lançado sob aplausos no segundo dia da mostra itinerante, 18 de janeiro, na Praia Central de Maragogi. Sob os olhos atentos de um grupo local de samba de matuto, o filme, premiado no último Festival de Vídeo do Recife (2007), fez um passeio através das várias vertentes e influências do samba brasileiro, viajando pelo Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, até chegar ao Samba de Matuto de Maragogi (AL).


"A iniciativa de produzir este trabalho partiu, especialmente, da vontade de realizar o registro iconográfico sobre o samba de matuto, manifestação praticamente em extinção, que sobrevive através da vontade e da luta de alguns apaixonados em manter as suas raízes culturais vivas, a exemplo Grupo do Mestre Camacho de Maragogi", afirmou Eliane.


Além do documentário e das animacões, o média-metragem de ficção alagoano Desalmada e Atrevida, do diretor Pedro da Rocha (AL), arrancou muitos risos e aplausos em todas as exibições do projeto. O filme faz uma incursão bem humorada pelo universo brega, com roteiro adaptado da história em quadrinhos Xôxo e a Radiola, de Gino, publicada na Gazeta de Alagoas na década de 90.

Exibição na praia de Garça Torta, litoral Norte/AL
[Foto: Nataska Conrado]

2ª edição: velas e olhos atentos ao cinema brasileiro

[ACENDA UMA VELA, 2ª EDIÇÃO

Verão de 2006/2007. Velas acesas com cinema em Maceió, Maragogi, Garça Torta e Piaçabuçu, sob a curadoria de Hermano Figueiredo. Uma exposição de fotografias do projeto na Casa da Arte, em Garça Torta, marcou o encerramento de mais uma temporada.

[ GALERIA DE FOTOS

. fotógrafa: Nataska Conrado

Praia de Garça Torta - Maceió/AL



Praia de Garça Torta - Maceió/AL



Maragogi - Litoral Norte/AL


Maragogi - Litoral Norte/AL



Maragogi - Litoral Norte/AL


Praia de São Bento - Maragogi/AL


Piaçabuçu - Sul de Alagoas /AL


Pontal do Coruripe - Litoral Sul/AL

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

As primeiras velas acesas, diário da 1ª edição

[ACENDA UMA VELA, 1ª EDIÇÃO

Eventos performáticos de exibição de filmes e vídeo no Litoral Norte de Alagoas, sob a curadoria de Hermano Figueiredo, utilizando como tela as velas de jangadas. Promovido pela Ideário, no verão, entre dezembro de 2005 e fevereiro de 2006, com recursos do Fundo Nacional de Cultura - Secretaria do Audiovisual (SAv), Ministério da Cultura (MinC), Governo Federal.


Folder da 1ª edição

[ Vila de Pescadores no bairro de Jaraguá - Maceió/AL

. 29 de dezembro de 2005

Durante todo o dia, percorremos a Vila conversando com líderes comunitários, pescadores, marisqueiras e estudantes. Distribuímos os panfletos e afixamos cartazes explicando a novidade alardeada por uma bicicleta com um sistema de som que fizemos circular às vielas estreitas. Era o cinema fora do cinema para todo mundo ver. Começamos a sessão com São Luis Caleidoscópio, no qual pessoas dançam bumba-meu-boi; em seguida um filme de animação deu sequência e agradou, principalmente às crianças. O filme alagoano Mirante Mercado, falando do estar no mundo de trabalhadores das ruas de Maceió, prendeu a atenção dos espectadores, porém começamos a observar que o público ia diminuindo.
Só depois ficamos sabendo que estávamos em um lugar de conflito e a comunidade moradora do outro lado da Vila não frequentava aquele espaço. Assim, o público foi menor do que o esperado.


[ Povoado Massagueira - Lagoa Manguaba/AL

. 05 de janeiro de 2006

Às margens da Lagoa Mundaú, a Massagueira abriga uma comunidade que, em grande parte, vive da pesca e da comercialização de doces. É um lugar de grande exuberância paisagística. Escolhemos exibir junto a um cruzeiro, numa pracinha. O barco foi retirado d’água e posto à margem. O público logo foi chegando, no entanto, tivemos que aguardar o fim de uma novena que os moradores faziam na igreja em frente.
A mostra começou com a exibição de desenhos animados, o que agradou o público infantil. Foram exibidos curtas de ficção que também foram bem recebidos, mas o público saiu do sério mesmo com o documentário Mirante Mercado. Após a sessão concedemos longa entrevista para o site Overmundo.


[ Praia de São Bento - Maragogi/AL

. 06 de janeiro de 2006

A bucólica praia de São Bento, povoado de Maragogi, foi a base de operações do projeto por alguns dias. A primeira exibição foi divulgada pelo próprio serviço de som do projeto e por cartazes afixados na véspera. Assim que a brancura da vela recebeu as primeiras imagens, o público foi chegando de um lado e de outro e se acomodando em cadeiras que iam trazendo de casa, troncos de coqueiros e até na branca areia. Aplaudiram todos os filmes, mas se divertiram e se identificaram com o filme alagoano Mirante Mercado e ao saberem que foi produzido pela Ideário e dirigido por Hermano Figueiredo, praticamente exigiram que filmássemos também as curiosidades e personagens locais. Atendemos ao pedido documentando um pouco do cotidiano, da cultura e entrevistando alguns personagens. O destaque foram os contadores de coco locais.

. 11 de janeiro de 2006


A segunda exibição em São Bento foi a cerca de 500 metros da anterior, porém, não imaginávamos que aquilo determinaria um público bem diferente do evento anterior. A composição era de moradores locais e turistas que veraneiam naquela localidade, a maioria do Estado de Pernambuco. Receberam a divulgação nas pousadas através de cartazes e panfletos com grata surpresa. A jangada foi estacionada num coqueiral entre a rua e a beira da praia. Mais uma vez as cadeiras trazidas de casa e das pousadas e os troncos de coqueiros foram os assentos do nosso cinema ao ar livre.

. 18 de janeiro de 2006


A terceira exibição em São Bento foi no local da primeira atividade, atendendo a solicitação de parte da comunidade que se sentiu desprestigiada com a escolha do local da exibição anterior. Era grande a expectativa para ver o breve documentário sobre São Bento. Naquele dia recebemos o realizador pernambucano, residente no Rio de Janeiro, Petrônio de Lorena, que subiu à jangada para apresentar seu filme. Foram exibidos três curtas, antes do aguardado documentário que, finalmente exibido, foi recebido ruidosamente pela platéia. Provocou risos, comoveu e ainda deu um afago na auto-estima dos caiçaras.


foto: Lula Castello Branco



foto: Lula Castello Branco

foto: Lula Castello Branco

foto: Nataska Conrado

foto: Nataska Conrado


[ Praia de Barra Grande - Maragogi/AL

.
12 de janeiro de 2006

Barra Grande é uma praia de águas de um azul muito claro e de areia muito branca e fina. A jangada, no horário combinado, apontava em direção ao local e foi também empurrada pelo vento que fazia bochecha na vela mais branca que pudemos encontrar. Mal terminamos de estacionar a embarcação, montar o equipamento de som e de projeção e fazer os testes, o público começou a se acomodar em degraus que margeavam a areia da praia, atraídos pela publicidade feita pelo serviço de som de uma miniatura de caminhão de trio elétrico que ostentava o banner do projeto. Foi um público encantado e vibrante com os filmes, o que constatamos pelas muitas gargalhadas, aplausos e perguntas que fizeram depois da sessão.


[ Porto de Pedras - AL

. 14 de janeiro de 2006


Saímos de São Bento e passamos por toda extensão de exuberantes praias de Japaratinga até a balsa, que atravessamos para chegar em Porto de Pedras, uma das cidades mais antigas do Brasil e muito citada nos livros de história que tratam do período holandês. Já na véspera tínhamos acertado tudo com o pescador que locou a jangada e com um assessor do prefeito que nos garantiu apoio na divulgação. Quando a lua cheia subia amarelada, começamos a sessão que durou cerca de hora e meia e agradou ao público que atendeu aos chamados do carro de som, cartazes afixados e panfletos distribuídos. Precisamos pedir a um bar a trezentos metros que diminuísse os milhares de decibéis que torturavam nossos ouvidos com uma coisa chamada de “música” que escutavam. A partir daí o público aumentou e um grupo de pescadores, dirigentes da colônia local, começou a exigir imagens de Porto de Pedras: começaram a sugerir uma espécie de roteiro. No mais, percebemos que os filmes agradaram às crianças, jovens, adultos e até a alguns que visitavam a cidade. Desarmamos o "circo" e pegamos a balsa de volta.

. 15 de janeiro de 2006

Mais uma vez deixamos a nossa base em São Bento e pegamos a balsa em Japaratinga para Porto de Pedras. Na balsa tinha um sujeito que parecia ser um vendedor de antenas em semáforos, mas que, na verdade, estava monitorando os peixes-boi (Porto de Pedras é a sede do projeto Peixe-boi em Alagoas). Ele nos informou que entre os peixes-boi que foram reintroduzidos no mar há dez anos estavam o macho “Sol” em Sergipe e a fêmea “Lua” numa praia do litoral sul. Lembramos que a Ideário realizou exibição de filmes numa vela de jangada na última reintrodução de peixes-boi, dois anos antes e ele nos disse que o barco que usamos era dele. Desembarcamos. A jangada já estava estacionada no local combinado, parte da equipe foi panfletar e a outra parte instalava tanto o som como os projetores e procedia os testes. A movimentação atraiu rapidamente o público. Estava bonito de olhar, algumas bicicletas perfiladas serviam de acento a seus donos, outros sentaram em cadeiras cedidas pelo bar mais próximo e outros na areia da praia. Alguns revezavam o olhar, ora para o filme, ora para o projetor. Entre um filme e outro falamos que a intenção do projeto era também estimular os cidadãos e o governo municipal a criar espaços de difusão do produto audiovisual brasileiro em sua própria cidade.

. 19 de janeiro de 2006


Numa atitude de agradecimento ao município de Maragogi, mesmo tendo cumprido o número proposto de exibições, resolvemos atender ao pedido de nossos colaboradores e de diversas pessoas da cidade, inclusive da equipe que locou o serviço de som: fazer uma exibição na sede do município. Ali tivemos a colaboração de pescadores que deslocaram por terra uma pesada jangada a uma distancia de 350 m do local da exibição. A sessão aconteceu numa praça em frente ao mar com uma cobertura de palha, que deu garantia contra a chuva. O público era dividido entre pescadores, outros moradores de Maragogí e turistas. A mostra de curtas foi eclética e agradou ao público que retribuiu com atenção e aplausos. A programação foi fechada com a exibição do doc alagoano Mirante Mercado. Entre um filme e outro, de cima da jangada, falamos sobre o projeto e sobre os filmes exibidos.

foto: Nataska Conrado

foto: Nataska Conrado

[ Marechal Deodoro/AL


. 31 de janeiro de 2006

Às 17 horas, o barco à vela aportou no local combinado da Lagoa Manguaba, bem no centro da cidade histórica de Marechal Deodoro. Os cartazes afixados dias antes e os panfletos distribuídos à tarde mobilizaram os espectadores, em especial estudantes, para a sessão que começou às 19 horas. O público ouvia atento às preleções antes dos filmes e aplaudia cada filme com entusiasmo. Ao fim da sessão, estudantes perguntaram quando haveria nova sessão e se o evento seria toda semana, torcendo para que virasse uma atividade cultural permanente na cidade.

. 08 de fevereiro de 2006

Os primeiros espectadores a chegarem foram estudantes que estiveram na exibição anterior. À medida que as aulas foram terminando e algumas escolas liberando seus alunos, o público foi aumentando. Em seguida, chegou uma equipe da afiliada da TV Globo que gravou matéria exibida nacionalmente no Jornal da Globo no dia seguinte. A matéria (mídia espontânea) teve grande repercussão, dando grande visibilidade à ação de exibição de filmes em velas de jangadas.


[ Praia de Garça Torta - Maceió/AL

. 03 de fevereiro de 2006

Os pescadores e suas famílias foram os primeiros a chegar, seguidos de outros moradores, veranistas e turistas, que logo lotaram as embarcações que serviram de assentos. O público era heterogêneo, mas aplaudia todos os filmes, uns com mais força outros com mais palmas. Nesta noite tivemos a presença de uma comitiva de representantes de ONG´s de vários Estados do Nordeste, que estavam num evento em Maceió (Mobilizar) e ficaram extasiados com as mostras de filmes em vela de jangada. Deram entusiasmados depoimentos de que este projeto deveria ultrapassar as fronteiras de Alagoas para outras cidades nordestinas.


[ Praia de Jatiúca (Posto 7) - Maceió/AL


. 11 de fevereiro de 2006

O local conhecido como Posto 7, na badalada praia de Jatiúca, recebeu um público que no começo, às 19 horas, era de aproximadamente 100 expectadores, mas depois do terceiro curta exibido chegou a mais de 400. A mostra terminou por volta da meia noite. Nas preleções de Hermano Figueiredo antes de cada filme, foi divulgada a abertura das inscrições para o DOC TV e da Oficina com Geraldo Sarno, que prestigiou o evento e teve um curta exibido. Sarno falou ao público de cima da jangada sobre o seu filme e sobre a oficina que começaria dois dias depois. O cineasta ainda elogiou o projeto Acenda uma Vela. O público participou com perguntas e opiniões.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O início da itinerância e suas histórias


A primeira ação do cinema itinerante da Ideário foi o projeto Olhar e Ver (2003), que levou cinema para as periferias de Maceió, exibindo em grotas, acampamentos sem-terra e no Campus Universitário. A iniciativa se originou das atividades cineclubistas já realizadas anteriormente por Hermano, que sempre defendeu a democratização do acesso à produção audiovisual brasileira e o seu debate. Desde 1999, ele já exibia em bairros periféricos da cidade através do projeto Olho da Rua.

"Exibir em superfícies inusitadas não é somente performático", afirma Hermano, "é questão de atitude e protesto em favor do público e dos cineastas brasileiros, ambos sem tela no circuito comercial".


Filmes em redes de dormir em Piaçabuçu/sul de Alagoas

Hermano se orgulha das histórias que passou a colecionar durante as exibições, como a que ocorreu numa favela às margens do Rio Potengi (RN), enquanto preparava-se para uma sessão de cinema ao ar livre e uma mulher disse aos gritos que as crianças não precisavam daquilo e sim do que "botar no bucho". Imediatamente pediu que um dos meninos curiosos levantasse a camisa, ajustou a objetiva do projetor e exibiu o filme em sua barriga. Logo uma fila de cerca de 40 garotos se amontoaram para ter as imagens em movimento nos corpos.




"Em uma exibição na praia de Garça Torta, em Maceió, até um bebê no colo do pai entrou na fila para ser 'batizado' com imagens em movimento em sua roupinha branca de pagão", lembra Hermano, que já chegou a projetar na barriga de um boi em um acampamento sem-terra no Rio Grande do Norte.

A partir de 2005, a Ideário passou a realizar exibições itinerantes em localidades litorâneas, lagunares e ribeirinhas, sempre durante o verão, através do projeto Acenda uma Vela. Nele, os filmes são projetados sobre mais um suporte inusitado, símbolo da cultura nordestina - a vela de jangada. A atividade proporciona lazer e debate, nos moldes cineclubistas, para comunidades que, em sua maioria, nunca foram ao cinema.